Chegando a Fortaleza

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Oitenta e oito horas depois de deixarmos São Luis, chegamos à Fortaleza. Fizemos média de 5,5 nós, que considerando uma corrente contra de 2 nós,tivemos uma  velocidade sobre a agua de 7,5 nós. Todo o trajeto foi feito à motor, em poucas oportunidades também subimos as velas. Os ventos variaram de calmaria até 28 nós. Não fomos os mais rápidos neste trajeto mas seguimos nossa intuição para fazer a travessia mais segura possível.

A sensação de ver a cidade se aproximando aos poucos é incrível, procurando identificar o Marina Park, nosso destino final e admirando o arco iris formado pela fina garoa.

A Rota

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A Rota

Entre Luís Corrêa a Fortaleza, o trecho que foi recordista de recomendações de cuidados foi o traves do Farol do Pontal das Almas, área com cercos de pesca e troncos submersos. O período de lua cheia foi fundamental para se prevenir dos primeiros. Quantos aos troncos submersos até agora não entendi como se precaver deles, deixei a sorte cuidar do assunto.

Escalando para a Terra

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Escolhemos atracar na borda de um pesqueiro, dentre os vários que já estavam em Luis Correa, apenas pelo critério “mais simpático”. As informações que tínhamos é que o Diesel deveria ser comprado em um posto de gasolina não muito próximo da atracação, sendo necessário arrumar um taxi para trazer o combustível até o barco. Gelo estava fora de cogitação e água, somente em galoes de 20 litros, comprados também no posto de combustível.

Para completar as dificuldades, a maré estava baixa. Para alcançar o trapiche, uma escalada de 3 metros pela rede de um barco de pesca.

Mas, estávamos em um dia de sorte. Neste trapiche havia uma bomba de diesel, exclusiva para pesqueiros mas gentilmente abriram uma exceção e compramos o óleo necessário, abastecido diretamente nos nossos tanques. E mais…gelo e agua de graça, também colocado no nosso barco. Mas espere, porque as boas surpresas não acabaram.

De brinde ganhamos um peixe já limpo e cortado em postas, pronto para ir ao forno.

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Em apenas 1 hora, terminamos o que estava previsto demorar pelo menos 4 horas.

Parada em Luis Correa

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Foi prevista uma unica parada para reabastecimento entre São Luis e Fortaleza, na localidade de Luis Correa. Um entreposto para barcos de pesca com acesso por uma barra protegida por quebra-mar e bem sinalizada. Mesmo assim, optamos por aguardar o dia clarear e seguir algum barco que estivesse entrando. A maré estava muito baixa e no canal de acesso o calado estava muito próximo do mínimo recomendável para o Argos 3. A corrente contra também é digna de registro, chegando a 4 nós!

Navegação Eletronica

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A idéia sempre foi ter um barco que fosse possível navegar em solitário, aproveitando as possibilidades mais acessíveis de equipamentos eletrônicos.

De dentro da cabine central é possível controlar toda a navegação, incluindo os lemes. A rota estabelecida no plotter gerencia o piloto automático, um braço eletro-mecânico acoplado na cana do leme. Caso seja necessária alguma manobra, um joy-stick controla os lemes.

O radar se mostrou bem eficiente e sensível, sendo muito útil também para acompanhar as pancadas de chuva em torno do barco.

Como backup do sistema, um Ipad com proteção para agua e as cartas náuticas instaladas. Em caso de pane elétrica ou falha do plotter é perfeitamente possível continuar navegando com segurança.

Chuva do Bem

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As primeiras 12 horas de viagem foram com muita chuva, pouco vento e mar mais agitado em alguns trechos, em função da maré e correnteza muito fortes.

Alem de “adoçar” o barco, a chuva também ajuda a manter o mar mais calmo, diminuindo as pancadas sob o convés. Estas pancadas faziam tudo tremer, principalmente o freezer que não parava no lugar. Dormir na cabine central foi muito difícil.